terça-feira, 4 de maio de 2010

Ciclo de Debates: Os Lugares da Arte

Os debates acontecem no IAD/UFPel

Professora Ursula palestra para professores da rede que participam do Ciclo

A professora Ursula, da Universiade Federal de Pelotas, enviou artigo para o Blog, que postamos a seguir. Desde já agradecemos tão importante colaboração e ficamos à disposição para novas publicações do seu grupo de pesquisa.
Blog da EMEF João da Silva

"Iniciou na quarta-feira, dia 28 de abril, o Ciclo de Debates: Os Lugares da Arte, promovido pelo Projeto Arte na Escola, do Instituto de Artes e Design da UFPEL. Este Ciclo será importante para a atualização de temas espeíficos para o ensino de Arte. Desde a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, n.º 9.394/1996, que novas discussões sobre concepções e metodologias para o ensino e aprendizagem da arte nas escolas foram levantadas. A partir de então, a área passou a ser identificada por Arte (não mais Educação Artística) e foi incluída na estrutura curricular como área de conhecimento, com conteúdos próprios ligados à cultura artística e não apenas como uma atividade dentro da escola: “o ensino da Arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica” (LDBEN 9.394/1996, Art. 26, § 2º). Com a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 2001), o ensino da arte ficou estipulado em quatro modalidades artísticas para o ensino fundamental e médio: artes visuais, dança, música e teatro. Cabe à escola definir as modalidades que farão parte do currículo, a partir de então, contratar professores especializados na modalidade artística escolhida. É importante destacar duas questões são apontadas como essenciais pelos Referenciais Curriculares do Estado: a necessidade da interdisciplinaridade na escola e, na concepção de educação, a passagem do foco do ensinar para o aprender. Estes conceitos já aparecem na LDB e nos PCN, mas as formas de viabilizar os novos modos de trabalhar na escola de modo de que o próprio professor adote atitudes reflexivas, interdisciplinares, e de pesquisador parecem pouco vivenciadas. O professor de arte precisa ter consciência tanto do seu comprometimento no processo de ensino-aprendizagem, destacando que o saber específico da arte também é importante na produção de conhecimento como as outras disciplinas curriculares, quanto do universo de possibilidades que a área artística pode abranger no que tange à interdisciplinaridade. Conforme consta nos PCN’s: A manifestação artística tem em comum o conhecimento científico, técnico ou filosófico seu caráter de criação e inovação. Essencialmente, o ato criador, em qualquer dessas formas de conhecimento, estrutura e organiza o mundo, respondendo aos desafios que dele emanam, num constante processo de transformação do homem e da realidade circundante. O produto da ação criadora, a inovação, é resultante do acréscimo de novos elementos estruturais ou da modificação de outros. (BRASIL, 2001, p.32). O professor de arte precisa valorizar seu campo de saber como área de produção de conhecimento e ver sua disciplina vinculada a um currículo de formação básica. Como afirma Guiomar Mello, o currículo torna-se um elo social: “conecta a esco­la com o contexto, seja o imediato de seu entorno sociocultural, seja o mais vasto do País e do mundo. Se currículo é cultura so­cial, científica, cultural, por mais árido que um conteúdo possa parecer à primeira vista, sempre poderá ser conectado com um fato ou acontecimento significativo, passado ou presente” (MELLO, 2009, p.13). É importante, portanto, que o professor tenha noção de seu papel dentro deste currículo e como a interdisciplinaridade pode ser um caminho que amplie horizontes de trabalho, inserindo o aluno no universo do saber pela busca, pela curiosidade e pela pesquisa. Assim o aluno passa de ouvinte a ser aprendente. E a escola que se pretende contextualizada, deve se ver em rede, como aponta o documento dos Referenciais Curriculares: “Uma rede pode ser de pessoas, de insti­tuições, de países. No caso de uma rede de escolas públicas, a conexão que permite com­partilhar e construir conhecimentos em cola­boração é muito facilitada com a existência de um currículo que é comum a todas e que também assume características próprias da realidade e da experiência de cada escola” (idem, p.13). Este intercâmbio de escola e sociedade será um dos caminhos para se deslumbrar esta aprendizagem de fundo colaborativo. Dada esta temática, acreditamos que este Ciclo de Debates está sendo importante para a rede de ensino, mais especificamente para os professores de Arte."
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Profa. Dra Ursula Rosa da Silva
Instituto de Artes e Design/UFPEL
Mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural/ICH/UFPEL
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2 comentários:

Vaz disse...

"A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade." (Pablo Picasso)

EMEF João da Silva disse...

E Picasso cometia belíssimas mentiras!!!