terça-feira, 30 de março de 2010

Pais e professores: uma parceria que dá certo.

Pais e professores: uma parceria que dá certo.

Neiff Satte Alam (*)

"Inicia-se o ano letivo. Aos poucos os pais vão chegando à Escola com seus pequenos estreantes a tira-colo. Ansiedade de pais e filhos depois de uma preparação de semanas e até meses para o início de uma nova época, onde a tarefa de ensinar/educar passará a ser compartilhada entre pais e professores. A responsabilidade dos pais aumenta, diferentemente do que possam pensar alguns, pois o compartilhamento exigirá procedimentos equilibrados e harmoniosos para que a criança sinta que o professor não será o substituto dos pais, mas aquele que lhe dará maiores e melhores condições de enfrentar os novos obstáculos que se apresentarão na sua caminhada, para conquistar espaços mais de acordo com as novas realidades e, principalmente, para permitir escolhas mais adequadas no enfrentamento com o futuro. Têm-se observado um nocivo afastamento gradual dos pais em relação à escola. A euforia dos primeiros momentos vai sendo substituída pela entrega total das crianças para que a escola faça o papel dos pais simultaneamente ao seu. Há a impressão de que, já para o final do Ensino Fundamental, os encontros com os professores, programados por estes e para orientar os pais em relação ao aproveitamento dos seus filhos, comecem a ser ignorados e as reuniões com pais são, muitas vezes, fracassadas. Os professores vão sendo ignorados e as crianças, agora adolescentes, passam a ser interlocutores, tacitamente autorizados por seus pais, nas tratativas com os professores. Perdem os pais, perde a escola e, principalmente, perdem os estudantes, pois têm o vínculo casa/escola rompido e ensino e educação divorciados. A consequência natural é a queda de rendimento escolar, muitas vezes condenado pelos pais como incapacidade dos professores, mas na realidade esta queda é fruto do descaso dos pais em apoiarem o trabalho de ensino-aprendizagem feito profissionalmente e, na maioria das vezes, com muita competência e desprendimento dos professores. Em certa oportunidade, um professor, indignado com a ausência de 100% dos pais em uma reunião, expressou-se da seguinte forma: “parece que os pais moram em Marte e mandam seus filhos para Vênus, mundos diferentes e estranhos para uns e outros”. É urgente, oportuno e necessário que os pais retornem à escola e mantenham o mesmo empenho e dedicação demonstrados nos primeiros dias de aula nas séries iniciais, acompanhando diariamente o trabalho dos filhos, apoiando o professor na sua tarefa de ensino-aprendizagem e valorizando a educação do próprio filho que, sentindo-se seguro, amparado por pais e professores, dará sempre retorno positivo. Muito provavelmente, o fracasso escolar que observamos com tristeza, tem, nesse abandono da escola por parte da maioria dos pais, uma de suas mais importantes causas. Aos pais, com filhos de quaisquer idades, sugiro uma reflexão nesta questão e, se for o caso, uma mudança de comportamento no sentido de se aproximarem da escola, sejam os filhos crianças ou adolescentes.

O futuro agradecerá!"

(*) Hoje o Blog publica artigo de Neiff Satte Alam. Ele é Professor, Especialista em Educação perla UCPel, lecionou no Colégio Municipal Pelotense, no PUG e em outras escolas. Aposentou-se como professor da Universidade Federal de Pelotras e faz parte do Movimento Educação Já.

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